Resposta rápida
SDR (Sales Development Representative) é o pré-vendedor: a pessoa que pesquisa empresas, faz o primeiro contato, qualifica o lead e marca a reunião para o vendedor que fecha, o closer. Faz sentido separar as funções quando os vendedores passam tanto tempo prospectando que não dão conta das reuniões, ou quando prospectam tão pouco que o funil esvazia. Antes de contratar, faça a conta de quantas abordagens a meta pede.
1. O que faz um SDR
A sigla vem do inglês Sales Development Representative. No Brasil, a função também aparece como pré-vendedor ou analista de pré-vendas. Se a sopa de siglas confunde, o glossário de termos de vendas explica SDR, closer, ICP e as outras.
O trabalho do SDR fica no começo do funil:
- Pesquisa: monta a lista de empresas que têm o perfil de cliente ideal.
- Primeiro contato: liga, manda mensagem ou e-mail, com abordagem personalizada.
- Qualificação: confirma se a empresa tem a dor, quem decide, prazo e orçamento.
- Agendamento: marca a reunião para o vendedor e passa o contexto do lead.
A qualificação de leads é o coração da função. Um SDR que marca reunião com qualquer um enche a agenda do closer de conversas que não fecham.
2. SDR e closer: a diferença
| SDR (pré-vendas) | Closer (vendas) | |
|---|---|---|
| Onde atua | Topo do funil | Meio e fundo do funil |
| Tarefa principal | Abordar e qualificar | Conduzir a reunião, propor e fechar |
| Resultado medido | Reuniões qualificadas marcadas | Vendas e faturamento |
| Volume | Muitas abordagens por dia | Poucas reuniões por dia |
| Perfil | Disciplina, volume, resiliência | Escuta, negociação, condução |
O motivo de separar é simples: prospectar e fechar pedem rotinas diferentes. Quem faz as duas coisas tende a abandonar a prospecção quando a agenda de reuniões enche, e o funil esvazia no mês seguinte.
Na prática da RP
A referência de funil que a RP usa mostra o tamanho do trabalho de topo: 150 empresas pesquisadas geram 50 abordagens personalizadas, e 17% delas viram reunião. É um volume que pede rotina própria, com tempo reservado todos os dias.
3. Quando separar pré-vendas
Faz sentido ter SDR quando você reconhece algum destes cenários:
- Os vendedores têm reuniões cheias e pararam de prospectar.
- O funil enche e esvazia em ondas: um mês de muita reunião, outro de pouca.
- Os closers são bons de reunião, mas não gostam de prospectar, e a prospecção fica sempre para depois.
- A meta vai crescer e o volume de abordagens necessário não cabe na agenda da equipe atual.
Para saber se cabe, faça a conta. A quantas prospecções para bater a meta mostra como sair da meta e chegar no número de abordagens por mês. Se esse número for maior do que a sua equipe consegue fazer junto com as reuniões, é hora de pensar em pré-vendas.
Na prática da RP
A wceltim, empresa de telecom atendida pela RP, mostra o que acontece quando a prospecção ganha rotina. O Rony Rafael, consultor da empresa, resumiu o resultado assim: mais organização, prospecções e vendas.
4. Quando não vale a pena
SDR não é solução para tudo. Pense duas vezes quando:
- A venda é simples e o ciclo é curto. Passar o lead de uma pessoa para outra pode atrasar a venda.
- O volume é baixo. Se a meta pede poucas abordagens por mês, um SDR fica ocioso.
- Não existe processo. Sem critério de qualificação e sem roteiro, o SDR vai improvisar, e o closer vai receber reunião ruim.
- O ticket é baixo para o custo da função. O salário do SDR precisa se pagar com as vendas que as reuniões dele geram.
Antes de abrir a vaga, o post sobre como contratar vendedor traz o processo seletivo e a conta de quando a vaga se paga, e a lógica vale também para pré-vendas.
5. Como montar a função de pré-vendas
Decidiu separar? Antes da primeira contratação, deixe pronto o que o SDR vai precisar para trabalhar bem desde a primeira semana.
- O perfil de cliente ideal escrito. O SDR precisa saber, sem dúvida, que tipo de empresa pesquisar: segmento, tamanho, região e sinais de que existe a dor.
- O critério de qualificação. O que precisa estar confirmado para a reunião ser marcada. Sem isso, cada SDR usa o próprio critério, e o closer recebe reunião de qualidade variável.
- A passagem para o closer. Como o contexto do lead chega ao vendedor: o que foi conversado, a dor, quem decide. Uma passagem mal feita obriga o cliente a repetir tudo e queima a primeira impressão.
- A cadência de contatos. Quantas tentativas, por quais canais e com que intervalo. Contato diário treina o lead a ignorar; espaçar os contatos funciona melhor.
- A meta em atividade. Abordagens por dia e reuniões por semana, calculadas a partir da meta de vendas, e não um número tirado do ar.
- O roteiro e o treino. As primeiras semanas são de acompanhamento próximo: ouvir ligações, revisar mensagens e ajustar a abordagem.
Comece com uma pessoa. Meça por algumas semanas, ajuste o critério e a cadência e só depois pense em ampliar a função. Contratar vários SDRs de uma vez, sem processo testado, multiplica o problema.
6. SDR interno ou terceirizado
Existem empresas que vendem o serviço de pré-vendas: elas prospectam em nome da sua empresa e entregam reuniões marcadas. As duas opções têm o seu lugar.
O SDR interno conhece o produto, convive com os vendedores e aprende rápido com o retorno das reuniões. Em compensação, a empresa assume a contratação, o treino e a gestão da função.
O serviço terceirizado começa mais rápido e não exige montar a função do zero. O risco é a abordagem ficar genérica e o lead sentir que está falando com alguém que não conhece o seu mercado. Se for por esse caminho, exija o roteiro, acompanhe as primeiras abordagens e combine o mesmo critério de qualificação que o seu time usa.
Nos dois casos, o processo precisa estar escrito antes. Pré-vendas sem processo só acelera o improviso.
7. Os erros mais comuns com SDR
- Medir o SDR por vendas fechadas. Ele não controla o fechamento. Meça pelo que ele entrega: reuniões qualificadas que acontecem.
- Contratar SDR para compensar closer que não fecha. Se a conversão da reunião para proposta está baixa, mais reunião só aumenta o desperdício.
- Deixar o SDR sem retorno. O SDR precisa saber o que aconteceu com as reuniões que marcou. Sem esse retorno, ele não aprende a qualificar melhor.
8. Como medir o SDR
O SDR é medido pelo que entrega ao closer, não pelo que fecha. Os números que importam:
- Abordagens por dia: o esforço.
- Taxa de conversão em reunião: a qualidade da abordagem.
- Reuniões realizadas: marcar não basta, a reunião precisa acontecer.
- Reuniões que viram proposta: a qualidade da qualificação.
Um roteiro ajuda o SDR a manter o volume sem soar robótico. O guia de script de vendas mostra como montar o seu para ligação e WhatsApp.
Perguntas frequentes
O que faz um SDR?
O SDR é o pré-vendedor. Ele pesquisa empresas com o perfil certo, faz o primeiro contato, qualifica o lead e marca a reunião para o vendedor que fecha a venda.
Qual a diferença entre SDR e closer?
O SDR trabalha no topo do funil, abordando e qualificando. O closer conduz a reunião, faz a proposta e fecha. Um é medido por reuniões qualificadas, o outro por vendas.
Pequena empresa precisa de SDR?
Nem sempre. Se a meta pede poucas abordagens e os vendedores dão conta de prospectar e fechar, não precisa. Vale quando a prospecção não cabe mais na agenda de quem fecha.
Quantas abordagens um SDR faz por dia?
Depende do canal, do mercado e do quanto cada abordagem é personalizada. O jeito certo de definir é partir da meta e das taxas do seu funil, e não de um número genérico.
SDR precisa de roteiro?
Precisa. O roteiro garante que toda abordagem tenha as partes certas e que a qualificação siga o mesmo critério, sem engessar a conversa.
Quantos vendedores e SDRs a sua meta pede?
Quantos vendedores e SDRs a sua meta pede? Coloque a meta, o ticket e as taxas do seu funil na Calculadora do tamanho da equipe e veja na hora.
Calcular o tamanho da equipe Quero A Ciência da ProspecçãoContinue lendo
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