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Resultados Previsíveis

Gestão e indicadores

Como contratar vendedor sem contratar no feeling

Pamela Krüger, CEO da Resultados Previsíveis

Pamela Krüger Publicado em Atualizado em 8 min de leitura

Entrevista em escritório claro: um homem de camisa azul conversa com um candidato sentado à sua frente, com copos de água sobre a mesa.

Resposta rápida

Contratar vendedor sem processo é comprar um bilhete de loteria caro. Antes da vaga, escreva o processo que a pessoa vai seguir. Na seleção, use teste prático em vez de entrevista bonita. Antes de assinar, faça a conta de quanto a vaga precisa vender para se pagar. Depois de contratar, cumpra a rampa dos primeiros 90 dias. É isso que separa contratação de aposta.

1. O que realmente acontece quando se contrata no feeling

A cena se repete nas empresas que atendemos. O dono percebe que o funil está apertado, abre uma vaga, conversa com quatro candidatos, gosta de um que fala bem e contrata. Três meses depois, demite por resultado.

O ponto cego é que a empresa cobrou resultado de alguém que nunca recebeu processo. Sem roteiro de abordagem, sem definição de cliente ideal, sem respostas para as objeções mais comuns, o vendedor novo faz o que sabe: improvisa. Se acertar, vira talento. Se errar, vira custo.

Demissão por resultado sem processo dado é um erro de gestão que aparece como erro do vendedor. E sai caro duas vezes: no que foi pago e no tempo perdido, porque a vaga volta a abrir no mesmo lugar, com a mesma armadilha.

2. Antes de abrir a vaga: existe processo para a pessoa seguir?

Essa é a pergunta que evita a maior parte dos prejuízos. Se a resposta for não, a contratação começa antes do anúncio: escreva o que já funciona na sua empresa.

O mínimo que precisa estar escrito é quem é o cliente ideal, como se aborda, o que se pergunta no diagnóstico, como se apresenta a proposta e o que se responde nas três objeções mais comuns. Não precisa ser um manual de cem páginas. Precisa existir, estar acessível e ser treinável. É exatamente o papel de um playbook de vendas dentro da operação.

Tem um efeito colateral bom. Ao escrever o processo, você descobre o que o seu melhor vendedor faz e que ninguém mais copiou. Esse conhecimento costuma estar na cabeça de uma pessoa só, e é assim que nasce a dependência de vendedor estrela, um risco que a empresa carrega sem perceber.

3. O perfil: o que olhar, além de experiência

Experiência no segmento ajuda, mas explica menos do que parece. Vendedor que veio de um mercado com ciclo curto e ticket baixo pode ter dificuldade real em venda consultiva de alto valor, e o contrário também acontece.

Três sinais pesam mais na prática:

Disciplina de rotina. Venda B2B é repetição. Pergunte como era a semana da pessoa no último emprego, quantas abordagens fazia, como organizava follow-up. Resposta vaga aqui é dado, não é falta de sorte na pergunta.

Capacidade de fazer pergunta. Na conversa, veja se a pessoa pergunta sobre a sua empresa ou só fala dela. Quem não pergunta no processo seletivo dificilmente vai diagnosticar cliente.

Reação à objeção. Coloque uma objeção real no meio da conversa, de preferência de preço. Observe se ela baixa o preço na hora, se trava ou se devolve com pergunta.

4. O processo seletivo em quatro etapas

Etapa 1, triagem por critério escrito. Defina antes o que elimina e o que aprova. Sem isso, o currículo bonito ganha da pessoa certa.

Etapa 2, conversa estruturada. Mesmas perguntas para todos os candidatos, na mesma ordem. Só assim dá para comparar. Anote as respostas na hora, não depois.

Etapa 3, teste prático. É a etapa que mais economiza dinheiro e a que mais empresa pula. Dê um caso real da sua operação: uma empresa para pesquisar, uma abordagem para escrever, uma objeção para responder. Você não está avaliando talento, está avaliando o que a pessoa faz quando recebe uma tarefa comercial de verdade.

Etapa 4, alinhamento de expectativa. Diga o número. Quantas abordagens por dia, qual a meta, em quanto tempo ela é cobrada, como é a remuneração. Candidato que desiste nessa etapa te poupou três meses.

5. A conta: quando a vaga se paga

Vendedor não é custo fixo isolado, é investimento com ponto de equilíbrio. A conta usa o custo mensal total da vaga, o ticket médio, a margem de contribuição, a comissão, o ciclo de venda e o tempo de rampa até a produtividade plena.

O raciocínio é este. Cada venda deixa uma margem: o ticket multiplicado pela margem de contribuição, menos a comissão. O custo mensal da vaga dividido por essa margem mostra quantas vendas a pessoa precisa fazer por mês só para empatar. Depois entra o tempo: nenhuma venda fecha antes do seu ciclo de venda, e a produtividade só fica cheia no fim da rampa. Juntando as duas coisas, você descobre em que mês a vaga começa a se pagar e quanto caixa precisa segurar até lá.

Um exemplo com números redondos: vaga com custo total de R$ 6.000 por mês, ticket de R$ 10.000, margem de contribuição de 40% e comissão de 3%. Cada venda deixa R$ 3.700, que são R$ 4.000 de margem menos R$ 300 de comissão. Para empatar, a pessoa precisa de 1,6 venda por mês, ou seja, 2. Com ciclo de 45 dias, a primeira venda só chega no segundo mês, e o custo do primeiro mês, R$ 6.000, precisa estar em caixa antes de abrir a vaga.

A Calculadora do ponto de equilíbrio faz essa conta com os seus números, mês a mês.

Calcular o ponto de equilíbrio da minha vaga

Quando esse número aparece na tela, duas coisas mudam. A cobrança deixa de ser sensação e vira meta clara. E a decisão de contratar deixa de depender do humor do mês e passa a depender de conta.

Na prática da RP

O método da RP tem três etapas: planejamento, capacitação e acompanhamento de indicadores. Contratar antes das duas primeiras é colocar alguém para executar um processo que ainda não existe. A referência que usamos na prospecção mostra o que precisa estar pronto antes da primeira semana de alguém novo: 150 empresas pesquisadas geram 50 abordagens personalizadas, com 17% de conversão em reunião. Sem a lista, sem a abordagem e sem o acompanhamento desses números, o vendedor novo não tem o que executar.

6. A rampa dos primeiros 90 dias

Rampa é o plano que transforma contratação em produtividade. Sem ela, o vendedor novo passa o primeiro mês tentando adivinhar o que a empresa espera.

Primeiros 30 dias: produto, cliente ideal, processo escrito e acompanhamento de reuniões junto com alguém da casa. Meta de atividade, não de venda: número de abordagens e de diagnósticos feitos.

Dos 30 aos 60: operação assistida. A pessoa conduz, alguém revisa proposta e escuta gravação de reunião. Começa meta parcial de resultado.

Dos 60 aos 90: operação autônoma com meta cheia. Aqui a avaliação é honesta, porque a pessoa recebeu processo, treino e acompanhamento.

Acompanhe a rampa com número, não com impressão. Volume de abordagens, conversão por etapa e tempo até o primeiro fechamento dizem mais do que qualquer percepção de corredor. É a mesma lógica que vale para o time inteiro, que detalhamos nos indicadores de vendas.

7. Quando não é hora de contratar

Três situações em que a vaga só aumenta o problema:

Funil vazio por falta de prospecção. Contratar mais gente para dividir o mesmo funil pequeno reduz a chance de todo mundo. Primeiro se enche o funil, depois se divide.

Tempo comercial mal usado. Se o time atual passa metade do dia em tarefa que não é venda, existe capacidade ociosa dentro de casa. Vale olhar produtividade em vendas antes de abrir vaga.

Caixa curto para a rampa. Se a empresa não aguenta três meses de custo sem retorno pleno, a contratação vira pressão, a pressão vira desconto e o desconto vira margem perdida.

8. Perguntas frequentes

Vale contratar vendedor sem experiência no meu segmento?

Vale, quando existe processo escrito e algu\u00e9m para treinar. Sem isso, a experiência no segmento vira muleta, porque a pessoa repete o método do emprego antigo dentro da sua empresa.

Quanto tempo espero antes de avaliar resultado?

O ciclo de venda da sua operação mais a rampa. Cobrar fechamento antes disso é cobrar algo que ainda não teve tempo de acontecer. O que dá para cobrar desde a primeira semana é atividade.

Comissão alta resolve a falta de processo?

Não. Comissão alta acelera quem já sabe o caminho e frustra quem não sabe. Sem processo, ela só aumenta a rotatividade.

Contrato um vendedor ou um gestor comercial?

Se ninguém acompanha número hoje e você não tem tempo para isso, um vendedor a mais tende a produzir menos do que a estrutura que faria o time atual render.

Antes de abrir a vaga, escreva o processo que a pessoa vai seguir

No Kit de Vendas você recebe a Planilha de Nicho, para definir onde prospectar, e três e-books, o Playbook de Vendas, A Ciência da Prospecção e o Mapa das Objeções, que são a base do que qualquer vendedor novo precisa aprender na primeira semana.

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