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Resultados Previsíveis
Gestor comercial e vendedora numa conversa individual, sentados frente a frente numa sala de reunião clara, com xícaras de café e um caderno aberto.

Equipe comercial

Avaliação de desempenho de vendedores: como comparar a equipe pelos números

Pamela Krüger, CEO da Resultados Previsíveis

Pamela Krüger • Publicado em • Atualizado em • 12 min de leitura

Resposta rápida

Avaliação de desempenho de vendedores é a comparação periódica de cada vendedor com ele mesmo e com a equipe, usando os mesmos números para todos: abordagens, conversão em cada etapa do funil, vendas, ticket médio e peso no faturamento. Mais do que um ranking, ela mostra em que etapa cada um perde a venda e qual é o próximo passo de cada pessoa.

Todo gestor sabe dizer quem é o melhor vendedor da equipe. Pouca gente sabe dizer por quê. E, sem o porquê, a avaliação vira opinião: quem fatura mais é bom, quem fatura menos precisa se esforçar mais. Essa conversa não ajuda ninguém a vender melhor no mês seguinte.

Este artigo mostra como avaliar vendedores com números que qualquer equipe consegue registrar, mesmo sem CRM, e como transformar a comparação numa conversa que melhora o resultado, em vez de criar disputa.

1. Por que comparar só o faturamento engana

Faturamento é o resultado final. Ele mistura o trabalho do vendedor com coisas que não dependem dele: a carteira que herdou, o território, o produto que vende, a sorte de um contrato grande cair naquele mês.

  • O vendedor que mais fatura pode estar só cuidando de clientes antigos, sem abrir nenhum cliente novo.
  • O que fatura menos pode ser o que mais prospecta, com um funil cheio que ainda vai fechar.
  • Um mês com uma venda grande esconde três meses sem nada.

Por isso a avaliação olha o caminho inteiro até a venda, e não só o fim dele. É o mesmo raciocínio do funil de vendas B2B: a venda se perde numa etapa específica, e cada etapa pede uma correção diferente.

2. Os números que entram na avaliação

Você não precisa de muitos. Cinco números por vendedor, no mesmo período, já mostram quase tudo:

  1. Abordagens: primeiros contatos com empresas que ainda não estavam no funil.
  2. Reuniões: conversas de diagnóstico realizadas, e não só marcadas.
  3. Propostas: propostas apresentadas ao lead.
  4. Vendas: negócios fechados.
  5. Faturamento: valor vendido no período.

Com eles saem as três taxas de conversão do funil (abordagem para reunião, reunião para proposta e proposta para venda), o ticket médio e a participação de cada vendedor no faturamento da equipe.

Dois cuidados antes de comparar. O período precisa ser o mesmo para todos, e a regra de registro também. Se um vendedor conta como reunião um café rápido e outro só conta a conversa com diagnóstico, a comparação não vale. Combine o que conta em cada etapa e deixe isso escrito. Quem ainda não tem as etapas definidas pode começar pelo processo de vendas B2B.

Prefira olhar três meses juntos. Um mês só é pouco para quem vende ticket alto e fecha poucos negócios.

Na prática da RP

O método da RP tem três frentes: planejamento, capacitação e acompanhamento de indicadores. A avaliação de desempenho mora na terceira. Sem número registrado não existe acompanhamento, existe impressão. E a referência que a RP usa para o começo do funil é concreta: de 150 empresas pesquisadas saem 50 abordagens personalizadas, e 17% delas viram reunião.

3. Como comparar a conversão por etapa

Veja um exemplo com quatro vendedores no mesmo mês. Os números são ilustrativos.

Vendedor Abordagens Reuniões Propostas Vendas Faturamento
Vendedor 112022145R$ 60.000
Vendedor 218018113R$ 30.000
Vendedor 3901662R$ 22.000
Vendedor 411019122R$ 18.000
Equipe500754312R$ 130.000

Pelo faturamento, a ordem parece simples: 1, 2, 3 e 4. Agora veja as taxas:

Vendedor Abordagem para reunião Reunião para proposta Proposta para venda Ticket médio
Vendedor 118,3%63,6%35,7%R$ 12.000
Vendedor 210%61,1%27,3%R$ 10.000
Vendedor 317,8%37,5%33,3%R$ 11.000
Vendedor 417,3%63,2%16,7%R$ 9.000
Equipe15%57,3%27,9%R$ 10.833

O retrato muda. O Vendedor 2 é o que mais trabalha, com 180 abordagens, mas só 10% delas viram reunião, a pior taxa da equipe. O Vendedor 3 marca reunião tão bem quanto os outros e trava na hora de chegar à proposta. O Vendedor 4 chega à proposta, mas fecha só uma em cada seis. São três vendedores abaixo do Vendedor 1, por três motivos diferentes.

Compare cada taxa com a média da própria equipe, e não com um número de mercado. A média da equipe já desconta o que é igual para todos: produto, preço e tipo de cliente.

4. Onde cada vendedor perde a venda

Achar a etapa mais fraca de cada um é o que transforma a avaliação em plano. Cada gargalo tem uma causa provável e uma correção:

  • Abordagem para reunião baixa: lista ruim ou mensagem genérica. O vendedor fala com empresas fora do perfil ou escreve igual para todas. Correção: rever a lista e a primeira mensagem junto com ele.
  • Reunião para proposta baixa: reunião sem diagnóstico. O vendedor apresenta a empresa em vez de entender o problema do lead, ou leva para a proposta quem não tem dor nem orçamento. Correção: um roteiro de perguntas para a reunião e um critério claro do que justifica uma proposta.
  • Proposta para venda baixa: proposta enviada e não apresentada, objeção sem resposta ou follow-up que some depois do envio. Correção: apresentar a proposta ao vivo e preparar as respostas às objeções mais comuns.
  • Volume baixo: taxas boas e poucas abordagens. Aqui o problema é agenda, não técnica. Correção: blocos fixos de prospecção na semana.

No exemplo, se cada um dos três chegasse à média da equipe só na sua etapa mais fraca, mantendo todo o resto igual, a equipe faria quase quatro vendas a mais no mês, perto de R$ 39.000, sem nenhuma abordagem a mais. É por isso que a avaliação por etapa paga o tempo que toma.

5. O peso de cada vendedor no faturamento

A avaliação também mostra um risco que o gestor costuma sentir e não medir: quanto do faturamento passa por uma pessoa só. No exemplo, o Vendedor 1 responde por 46% das vendas da equipe, quase o dobro do que seria uma divisão igual entre quatro.

A referência que o blog usa é esta: acima de 40% do faturamento numa pessoa, o risco deixa de ser teórico; acima de 60%, a empresa está apostando. Se esse vendedor sair, adoecer ou levar os clientes, a meta cai junto. O artigo sobre dependência de vendedor estrela mostra como reduzir esse risco sem desmotivar quem vende mais.

O melhor vendedor também entra na avaliação. Para ele, a pergunta não é o que corrigir, e sim o que ele faz que pode virar padrão da equipe: como escreve a primeira mensagem, que perguntas faz na reunião, como apresenta a proposta. É assim que o desempenho de um vira método de todos.

6. Como conduzir a conversa de avaliação

Número sem conversa vira cobrança. É na conversa que a avaliação vira melhora. Um formato que cabe na rotina:

  1. Uma vez por mês, individual, 30 minutos. Os números do mês e dos três últimos meses na mesa antes de começar.
  2. Comece pelo que está acima da média. O vendedor precisa ver que a avaliação enxerga o que ele faz bem.
  3. Escolha uma etapa só para melhorar. A mais fraca em relação à equipe. Duas ou três frentes ao mesmo tempo não andam.
  4. Combine uma ação e um número. Por exemplo: rever a lista com o gestor na segunda-feira e subir de 10% para 13% as abordagens que viram reunião no mês seguinte.
  5. Acompanhe toda semana. O número combinado entra na reunião de vendas semanal, e a conversa do mês seguinte começa por ele.

Evite o ranking na parede com nome e faturamento. Ele expõe sem mostrar o caminho, e quem está embaixo costuma reagir escondendo número, e não melhorando. Compartilhe com a equipe as taxas médias e os bons exemplos. A comparação individual fica para a conversa a dois.

Na prática da RP

Maike Moroginski, CEO da Speed Portas, conta no depoimento à RP que as vendas subiram 58% em menos de 3 meses. O caminho que a RP segue em todo projeto começa do mesmo jeito: medir cada etapa, achar onde a venda se perde e acompanhar essa etapa toda semana, até o número mudar.

7. Erros comuns na avaliação de vendedores

  • Comparar carteiras diferentes como se fossem iguais. Quem atende clientes antigos e quem abre clientes novos têm funis diferentes. Compare cada um com o seu grupo, ou separe os números.
  • Avaliar com um mês só. Em venda de ticket alto, um contrato muda tudo. Olhe três meses.
  • Cobrar resultado sem ter dado processo. Se não existe um jeito combinado de vender, a avaliação mede talento individual, e não o trabalho da equipe.
  • Contar só o que é fácil de contar. Ligação feita é fácil de contar. Reunião com diagnóstico é o que importa.
  • Mudar o critério no meio do caminho. A regra do que conta em cada etapa vale para todos e não muda sem aviso.

8. Modelo de avaliação em uma página

Para não começar do zero, copie o modelo abaixo e preencha um por vendedor:

Modelo de avaliação

Vendedor: [nome] | Período: [mês ou trimestre]

Números: [abordagens], [reuniões], [propostas], [vendas], [faturamento]

Abordagem para reunião: [x%] (equipe: [y%])

Reunião para proposta: [x%] (equipe: [y%])

Proposta para venda: [x%] (equipe: [y%])

Ponto forte: [etapa acima da equipe e o que faz de diferente]

Etapa para melhorar: [uma só]

Ação combinada: [o que vai fazer, com quem e até quando]

Número para o próximo mês: [taxa ou volume]

Próxima conversa: [data]

Se preferir não fazer as contas na mão, use o comparador de vendedores: você informa os números de cada vendedor e vê na hora a conversão por etapa, onde cada um perde a venda, o peso de cada um no faturamento e quanto a equipe ganha se cada vendedor chegar à média na sua etapa mais fraca.

Perguntas frequentes

Como avaliar o desempenho de um vendedor?

Compare os números dele com os da própria equipe, no mesmo período: abordagens, reuniões, propostas, vendas e faturamento. Calcule a conversão de cada etapa e veja onde ele fica mais abaixo da média. Essa etapa é o foco da conversa e do plano do mês seguinte.

Quais indicadores usar na avaliação de vendedores?

Volume de abordagens, conversão de abordagem para reunião, de reunião para proposta e de proposta para venda, ticket médio e participação no faturamento. Com esses números você separa problema de volume de problema de técnica.

Com que frequência fazer a avaliação de desempenho?

Uma conversa individual por mês, olhando o mês e os três últimos meses juntos, e o número combinado acompanhado na reunião semanal. Avaliação uma vez por ano chega tarde demais para corrigir alguma coisa.

Ranking de vendedores funciona?

Ranking só de faturamento costuma atrapalhar mais do que ajudar, porque expõe sem mostrar o caminho. Compartilhe as taxas médias e os bons exemplos com a equipe e deixe a comparação individual para a conversa a dois.

Dá para avaliar vendedores sem CRM?

Dá. Uma planilha com os cinco números por vendedor, preenchida toda semana com a mesma regra para todos, já permite comparar. O que não dá é avaliar sem registro: aí a conversa vira impressão contra impressão.

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