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Resultados Previsíveis

Prospecção B2B

Receita previsível: o que é e como aplicar na sua empresa

Pamela Krüger, CEO da Resultados Previsíveis

Pamela Krüger Publicado em Atualizado em 11 min de leitura

Escritório claro com uma vendedora ao telefone de fone de ouvido e um vendedor apertando a mão de uma cliente na mesma mesa de reunião

Resposta rápida

Receita previsível é o método de vendas B2B apresentado por Aaron Ross e Marylou Tyler no livro Predictable Revenue, de 2011, lançado no Brasil como Receita Previsível. A ideia central é separar quem prospecta, quem fecha e quem cuida do cliente, e medir cada etapa. Numa empresa menor, a especialização pode ser de tempo, e não de pessoas: blocos fixos de prospecção separados do fechamento.

1. O que é receita previsível

Receita previsível é quando a empresa sabe, com antecedência, quanto vai faturar nos próximos meses, porque conhece o caminho que leva um lead até o contrato e mede cada passo desse caminho. O termo ficou famoso por causa de um livro e virou sinônimo de um jeito específico de organizar vendas B2B.

O ponto de partida do método é uma cena que todo dono de empresa conhece. O vendedor prospecta, faz reunião, manda proposta, negocia e ainda atende cliente antigo. Resultado: não faz nada disso direito. E a prospecção é a primeira tarefa a ser abandonada, porque é a mais chata e a que dá resultado mais tarde.

A resposta do método é especializar. Cada etapa do funil ganha dono, meta e indicador próprios. Com isso, o topo do funil para de depender do tempo que sobra, e a receita deixa de ser uma montanha-russa.

2. De onde veio o método

O livro Predictable Revenue foi escrito por Aaron Ross e Marylou Tyler e lançado nos Estados Unidos em 2011. No Brasil, saiu pela Autêntica Business com o título Receita Previsível.

No livro, Ross conta a experiência de montar, dentro da Salesforce, um processo de prospecção ativa voltado para empresas. Segundo os autores, esse processo ajudou a Salesforce a somar US$ 100 milhões em receita recorrente.

Vale separar duas coisas. Receita Previsível, com maiúscula, é o nome do livro e do método. Receita previsível, com minúscula, é o objetivo que qualquer empresa pode perseguir, com esse método ou com outro. Este post fala dos dois: o que o método propõe e como aproveitar as ideias dele na realidade de uma empresa brasileira menor.

3. Os três pilares do método

Dá para resumir o método em três ideias.

A primeira é a especialização. O livro separa as funções comerciais: quem responde aos leads que chegam pelo marketing, quem prospecta ativamente, quem fecha a venda e quem cuida do cliente depois dela. Cada função tem uma responsabilidade só. No Brasil, o papel de quem prospecta ficou conhecido pela sigla em inglês SDR, e o grupo dessas pessoas costuma ser chamado de pré-vendas.

A segunda é a prospecção ativa como motor. Em vez de esperar indicação ou campanha, a empresa decide quantas contas vai abordar no mês e aborda, sempre do mesmo jeito.

A terceira são os números. Cada etapa tem uma taxa de conversão, e é ela que permite dizer quanto precisa entrar no topo para chegar ao faturamento desejado. Sem registro, não existe previsão. Existe palpite.

4. Cold calling 2.0: a abordagem que abre a conversa

O nome mais conhecido do livro é cold calling 2.0. A ideia foi trocar a ligação fria, feita para quem não pediu contato, por e-mails curtos enviados a uma lista bem escolhida, com o objetivo de achar a pessoa certa dentro de cada empresa e abrir uma conversa.

O detalhe que muita gente esquece é a lista. Antes de abordar, o método pede que a empresa defina com clareza o perfil do cliente ideal, ou seja, o tipo de empresa que mais ganha com o que você vende. Sem esse filtro, a prospecção vira volume sem direção. O post sobre nicho de mercado mostra como chegar a esse perfil.

No Brasil de hoje, o e-mail divide espaço com o WhatsApp e o LinkedIn, mas a lógica continua a mesma: mensagem curta, personalizada, focada no problema do lead e não no seu produto. Os modelos do post sobre mensagens de prospecção seguem esse princípio.

5. As três fontes de lead

Aaron Ross, em trabalhos posteriores ao livro, costuma separar os leads em três tipos, com nomes em inglês que ficaram conhecidos: seeds, nets e spears. Em português, sementes, redes e lanças.

Sementes são os leads que nascem de relacionamento: cliente satisfeito, indicação, boca a boca. Crescem devagar, mas costumam fechar bem.

Redes são os que chegam pelo marketing: conteúdo, anúncio, evento. Vêm em volume, com qualidade variada.

Lanças são os da prospecção ativa: a empresa escolhe o alvo e vai atrás.

A leitura para uma PME é direta. Quase toda empresa pequena vive de sementes, e por isso vive de mês bom e mês ruim. Indicação é ótima, mas ninguém controla quando ela chega. A lança é a única fonte que depende só de você, e é ela que traz previsibilidade.

6. Receita previsível funciona em empresa pequena?

Funciona, mas não do jeito que está no livro. O método nasceu numa empresa de software grande, com dinheiro para contratar equipes separadas. Uma empresa com três vendedores não vai montar um time de pré-vendas amanhã, e nem precisa.

O que dá para levar é o princípio: prospecção não pode disputar tempo com fechamento. Quando as duas tarefas ficam misturadas na mesma agenda, sem regra, o fechamento ganha sempre, porque é urgente e dá dinheiro hoje. A prospecção perde, e o funil seca dois meses depois. É o efeito sanfona que explicamos no post sobre vendas previsíveis.

Numa empresa menor, a especialização pode ser de tempo em vez de pessoas. O mesmo vendedor prospecta de manhã e fecha à tarde, com os dois períodos protegidos na agenda. Quem vende sozinho aplica a mesma lógica numa escala ainda menor: dois blocos fixos por semana já mudam o jogo.

7. Como aplicar sem montar um time de pré-vendas

Um roteiro possível, em cinco passos:

  1. Defina o perfil de cliente ideal: segmento, porte, região e o problema que você resolve melhor para ele.
  2. Monte uma lista de empresas que se encaixam nesse perfil e pesquise cada uma antes de abordar.
  3. Separe na agenda blocos fixos de prospecção, com meta semanal de abordagens.
  4. Registre cada etapa, de abordagens a vendas, para descobrir as suas taxas de conversão.
  5. Quando faltar tempo de verdade para prospectar, e não só rotina, considere uma pessoa dedicada a isso.

O quinto passo costuma ser o primeiro que as empresas tentam, e é o que mais dá errado. Contratar alguém para prospectar sem perfil de cliente, lista e processo definidos é pagar salário para descobrir o que a empresa ainda não sabe. Antes de abrir a vaga, vale fazer a conta de quando ela se paga, como mostramos no post sobre como contratar vendedor.

Na prática da RP

A metodologia da RP trabalha com planejamento, capacitação e acompanhamento de indicadores, e soma mais de 20 anos de método. Rony Rafael, consultor da @wceltim, resume o que mudou depois do trabalho: mais organização, mais prospecções e mais vendas.

8. Os erros mais comuns

  • Copiar a estrutura sem copiar o processo. Criar o cargo de pré-vendas sem perfil de cliente, lista e roteiro de abordagem só muda o nome do problema.
  • Medir só o fechamento. Se a empresa não sabe quantas abordagens fez no mês, não tem como prever nada.
  • Parar de prospectar quando o mês vai bem. É o erro que mais produz o mês ruim seguinte.
  • Abordar falando do produto. A mensagem que funciona fala da situação do lead, não da sua empresa.
  • Esperar resultado na primeira semana. Prospecção ativa tem atraso: o que você planta hoje vira reunião e proposta nas semanas seguintes.

Receita previsível não é um software nem um cargo novo. É a decisão de tratar o topo do funil como trabalho diário, com número, dono e horário. É esse processo que a consultoria de vendas B2B da RP monta junto com equipes de todo o Brasil.

Perguntas frequentes

O que é receita previsível?

É a capacidade de saber com antecedência quanto a empresa vai faturar, porque ela conhece e mede cada etapa do caminho do lead até o contrato. O termo também dá nome ao método de vendas B2B descrito no livro de Aaron Ross e Marylou Tyler.

Quem criou o método receita previsível?

Aaron Ross e Marylou Tyler, no livro Predictable Revenue, lançado em 2011 nos Estados Unidos e publicado no Brasil como Receita Previsível. O método vem da experiência de Ross montando um processo de prospecção ativa na Salesforce.

O que é cold calling 2.0?

É a abordagem proposta no livro para substituir a ligação fria: e-mails curtos, enviados a uma lista de empresas com o perfil certo, para encontrar a pessoa certa e abrir uma conversa. Hoje a mesma lógica vale para WhatsApp e LinkedIn.

Receita previsível funciona para pequenas empresas?

Funciona com adaptação. Em vez de equipes separadas, a pequena empresa separa o tempo: blocos fixos de prospecção na agenda, longe do fechamento, com meta semanal de abordagens e registro das conversões.

Preciso contratar um SDR para ter receita previsível?

Não no começo. Antes de contratar, a empresa precisa ter perfil de cliente ideal, lista de empresas, roteiro de abordagem e taxas de conversão registradas. Sem isso, a pessoa contratada não tem processo para seguir.

Comece pela lista certa

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