Ir para o conteúdo
Resultados Previsíveis

Prospecção B2B

Vendas previsíveis: por que um mês é bom e o outro é ruim

Pamela Krüger, CEO da Resultados Previsíveis

Pamela Krüger Publicado em Atualizado em 11 min de leitura

Dono de empresa e gerente comercial conversam diante de uma parede de vidro com notas adesivas coloridas, em um escritório claro

Resposta rápida

Vendas ficam imprevisíveis quando a prospecção depende de como o mês está indo. O resultado de hoje foi decidido semanas atrás, no começo do funil. Para ter vendas previsíveis, você calcula de trás para frente quantas abordagens a meta exige, transforma esse número em rotina semanal fixa e olha poucos indicadores toda semana, não só no fechamento do mês.

1. O que são vendas previsíveis

Vendas previsíveis é quando você olha para o funil hoje e consegue dizer, com uma margem razoável, quanto vai vender daqui a 30, 60 ou 90 dias. Não é acertar o número exato. É parar de ser surpreendido no dia 25.

Muita gente confunde previsibilidade com vender a mesma coisa todo mês. Não é isso. Uma empresa pode ter sazonalidade forte e continuar previsível, porque sabe que dezembro é fraco e se prepara em outubro. O problema não é a oscilação. É a oscilação que ninguém sabe explicar.

Na prática, prever vendas depende de três informações: quanto entra no topo do funil, quanto disso vira venda em cada etapa e quanto tempo leva de uma ponta à outra. Com esses três números na mão, a meta deixa de ser torcida e vira conta.

2. Por que um mês é bom e o outro é ruim

Pensa na cena. Fim de mês, meta batida, todo mundo comemorando. A equipe passou semanas fechando, fazendo proposta e atendendo cliente. Sobrou pouco tempo para abordar lead novo. No mês seguinte, o funil está magro e ninguém entende por quê.

É quase sempre isso. O mês bom consome o tempo que alimentaria o próximo. Aí vem o mês ruim, todo mundo se assusta, volta a prospectar com força, enche o funil e prepara o próximo mês bom. O ciclo se repete e parece azar.

Às vezes existem outras causas: um cliente grande que fechou e não vai recomprar tão cedo, um vendedor de férias, uma campanha que trouxe muita gente de uma vez. Mas quando o sobe e desce acontece mesmo sem nada disso, a causa quase sempre está na prospecção irregular.

3. O efeito sanfona da prospecção

Existe um atraso entre prospectar e vender. Em venda B2B de alto valor, a abordagem feita hoje pode virar reunião na semana que vem, proposta no mês seguinte e contrato só depois disso. Esse atraso é o ciclo de vendas.

Por causa dele, o resultado deste mês foi decidido semanas atrás. Se a equipe parou de prospectar no dia 10, o efeito não aparece no dia 11. Aparece um ou dois meses depois, quando já é tarde para corrigir.

Por isso olhar só o faturamento é dirigir olhando pelo retrovisor. O faturamento conta o que aconteceu. Quem conta o que vai acontecer são os números do começo do funil: quantas empresas foram pesquisadas, quantas abordagens saíram e quantas reuniões entraram na agenda.

Quando a prospecção vira sanfona, abrindo e fechando conforme o humor do mês, o faturamento vira sanfona junto. Vendas previsíveis começam no dia em que a prospecção deixa de depender de como o mês está indo.

4. A conta de trás para frente

A pergunta que organiza tudo é simples: para bater a meta, quantas abordagens a equipe precisa fazer? A resposta sai de trás para frente.

Você parte da meta em reais e divide pelo ticket médio. Isso dá o número de vendas. Depois usa a taxa de fechamento para achar quantas propostas precisa, a taxa de proposta para achar quantas reuniões e a taxa de reunião para achar quantas abordagens. O passo a passo completo está no post sobre quantas prospecções para bater a meta.

Um exemplo com números redondos. Meta de R$ 120.000 com ticket médio de R$ 12.000 pede 10 vendas. Se 1 a cada 4 propostas fecha, são 40 propostas. Se 60% das reuniões viram proposta, são 67 reuniões. E se 17% das abordagens viram reunião, são 395 abordagens no período.

Essas taxas são um ponto de partida. O certo é trocar pelas suas assim que você tiver dois ou três meses de registro. Mesmo assim, a conta já mostra algo que pouca gente enxerga: a meta não é de vendas. É de abordagens.

Na prática da RP

Na metodologia da RP, a conta começa antes da abordagem. A referência validada é esta: 150 empresas pesquisadas geram 50 abordagens personalizadas, e 17% delas viram reunião. Para chegar a 395 abordagens personalizadas, a equipe precisa pesquisar perto de 1.185 empresas. Pesquisa também é trabalho, e precisa de espaço na agenda.

5. Os indicadores que mostram o mês que vem

Você não precisa de um painel com trinta números. Para enxergar o mês que vem, quatro indicadores semanais resolvem a maior parte:

  • Abordagens feitas na semana, por vendedor.
  • Reuniões marcadas na semana.
  • Propostas enviadas e o valor somado delas.
  • Taxa de conversão de cada etapa, comparada com a do mês anterior.

O primeiro é o mais importante e o mais esquecido. Se as abordagens caíram esta semana, você já sabe que o mês que vem vai sentir, e ainda dá tempo de reagir. A lista completa, com o que olhar por semana e por mês, está no post sobre indicadores de vendas.

A regra é olhar esses números toda semana, na mesma reunião, do mesmo jeito. Indicador que só aparece no fechamento do mês serve para explicar o prejuízo, não para evitar.

6. A rotina que sustenta a previsão

Saber a conta não basta. A previsibilidade mora na rotina. Se a conta diz que a equipe precisa de 395 abordagens no mês, esse número vira uma meta por semana e por dia, dividida entre os vendedores. E vira horário marcado na agenda.

O que funciona é bloco fixo de prospecção: um período do dia, sempre o mesmo, em que ninguém entra em reunião interna, não responde grupo e não apaga incêndio de cliente. Só pesquisa empresa e aborda lead novo. Em mês bom, o bloco continua. Em mês ruim, o bloco continua. É essa teimosia que acaba com o efeito sanfona.

A segunda peça é uma reunião semanal curta, olhando os quatro indicadores. Quinze minutos na segunda de manhã resolvem mais do que uma hora de cobrança no fim do mês. A pergunta da reunião muda: sai "quanto você vendeu?" e entra "quantas abordagens você fez e o que travou?".

7. O que sabota a previsibilidade

Dois hábitos comuns atrapalham a previsão mesmo em empresas que já fazem a conta.

O primeiro é a dependência de vendedor estrela. Quando uma pessoa responde por boa parte do faturamento, o resultado da empresa fica preso às férias, ao humor e à permanência dela. A previsão vira aposta num ser humano.

O segundo é cada vendedor fazer do seu jeito. Um aborda por WhatsApp, outro liga, outro espera indicação. Cada um tem uma taxa de conversão diferente, e a média da equipe não prevê nada. Quando todos seguem o mesmo processo, as taxas ficam comparáveis e a conta passa a funcionar. O playbook de vendas é o documento que registra esse processo, do primeiro contato ao fechamento.

Existe ainda uma camada mais estrutural: separar quem prospecta de quem fecha. Essa ideia está no centro do método conhecido como receita previsível, e vale entender quando ela faz sentido para o tamanho da sua equipe.

8. Como começar esta semana

Você não precisa redesenhar o comercial inteiro para sair do mês bom, mês ruim. Dá para começar com quatro passos:

  1. Faça a conta de trás para frente com a meta do próximo mês e descubra quantas abordagens ela exige.
  2. Divida esse número por semana e por vendedor, e marque na agenda um bloco fixo de prospecção.
  3. Registre abordagens, reuniões e propostas numa planilha simples, toda semana.
  4. Faça uma reunião de 15 minutos toda segunda olhando só esses números.

Em dois ou três meses, você vai ter as suas próprias taxas de conversão. É aí que a previsão fica boa de verdade, porque passa a usar a realidade da sua empresa, e não uma média.

Na prática da RP

A metodologia da RP trabalha em três frentes: planejamento, capacitação e acompanhamento de indicadores. É a lógica deste post: a conta feita, a equipe preparada para executar e os números olhados toda semana. Maike Moroginski, CEO da Speed Portas, conta que as vendas cresceram 58% em menos de 3 meses.

Perguntas frequentes

O que são vendas previsíveis?

São vendas que a empresa consegue estimar com antecedência, porque conhece o volume que entra no topo do funil, as taxas de conversão de cada etapa e o tempo do ciclo de vendas. Previsibilidade não é vender sempre o mesmo valor. É conseguir explicar e antecipar o resultado.

Por que as vendas oscilam tanto de um mês para o outro?

Na maioria das empresas, porque a prospecção é irregular. No mês bom, a equipe fica ocupada fechando e para de abordar leads novos, e o funil seca um ou dois meses depois. No mês ruim, ela volta a prospectar, e o ciclo se repete.

Quais indicadores ajudam a prever as vendas?

Os do começo do funil: abordagens feitas por semana, reuniões marcadas, propostas enviadas e a taxa de conversão de cada etapa. O faturamento mostra o passado; esses números mostram o que vem pela frente.

Quanto tempo leva para as vendas ficarem previsíveis?

Com registro semanal das etapas do funil, em dois ou três meses você já tem taxas de conversão próprias para uma previsão confiável. Antes disso, dá para começar com taxas de referência e ajustar conforme os dados chegam.

Vendas previsíveis e receita previsível são a mesma coisa?

O objetivo é o mesmo: saber quanto a empresa vai faturar. Receita Previsível também é o nome do livro de Aaron Ross e Marylou Tyler, que propõe separar prospecção, fechamento e atendimento em funções especializadas. Dá para ter vendas previsíveis sem adotar o método inteiro.

Quantas abordagens o seu próximo mês precisa?

Coloca a sua meta e o seu ticket médio na Calculadora de Prospecção e vê na hora quantas vendas, propostas, reuniões e abordagens ela exige, e quanto isso dá por vendedor por dia. Sem cadastro.

Calcular a minha meta

Continue lendo