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Resultados Previsíveis
Gestor comercial e vendedora montam o plano de vendas com notas adesivas em três colunas numa parede branca.

Gestão e indicadores

Plano de vendas: modelo pronto para os próximos 90 dias

Pamela Krüger, CEO da Resultados Previsíveis

Pamela Krüger • Publicado em • Atualizado em • 11 min de leitura

Resposta rápida

Um plano de vendas de 90 dias cabe em duas páginas e tem três frentes. Planejamento: a conta de trás para frente, da meta às abordagens por vendedor por semana. Capacitação: um tema de treino por mês, começando pela etapa que mais perde vendas. Acompanhamento de indicadores: abordagens, reuniões e propostas toda segunda-feira, e as taxas reais todo mês para refazer a conta.

1. Meta não é plano

Todo começo de trimestre tem a mesma reunião. A meta é anunciada, a equipe acena com a cabeça, alguém diz que "agora vai" e cada um volta para a mesa fazendo exatamente o que fazia antes. Noventa dias depois, a meta não veio, e ninguém sabe dizer em que semana ela escapou.

O problema não é a meta. É que meta, sozinha, é só um número que se deseja. O plano de vendas é o que transforma esse número em trabalho: quantos contatos por semana, quem faz o quê, o que a equipe precisa aprender e quais números olhar toda segunda-feira para saber se o trimestre está no rumo.

Um plano de vendas não precisa de 40 páginas. Os melhores cabem em duas: uma conta que liga a meta à rotina e um calendário de 90 dias com responsáveis e datas. O resto é enfeite.

Noventa dias é um bom horizonte por três motivos. É curto o bastante para a equipe enxergar o fim e longo o bastante para uma mudança de processo aparecer no resultado. Coincide com o trimestre, que é como a maioria das empresas olha o faturamento. E permite corrigir a rota duas vezes antes do fim, se as revisões forem mensais.

2. As três frentes de um plano de vendas

A RP trabalha com um método de três frentes: Planejamento, Capacitação e Acompanhamento de indicadores. Elas também são um bom jeito de organizar qualquer plano de vendas, porque cada uma responde a uma pergunta diferente.

  • Planejamento: aonde queremos chegar e quanto trabalho isso exige?
  • Capacitação: a equipe sabe fazer esse trabalho do jeito que ele precisa ser feito?
  • Acompanhamento de indicadores: como vamos saber, toda semana, se está funcionando?

Plano que só tem a primeira frente vira planilha bonita que ninguém segue. Plano que só tem a segunda vira treinamento sem meta. E plano sem a terceira só descobre que deu errado no último dia do trimestre. As três juntas formam um ciclo: planeja, capacita, mede e ajusta o plano.

3. Frente 1: Planejamento, da meta à rotina da semana

O planejamento começa pela conta de trás para frente. Você parte da meta e desce o funil até chegar ao número de contatos que a equipe precisa fazer por semana. Para isso, precisa de quatro números: a meta, o ticket médio e as taxas de conversão de cada etapa.

Se você ainda não mede as suas taxas, use referências como ponto de partida e troque pelos seus números assim que tiver dois ou três meses de histórico. As referências usadas aqui são estas:

  • 17% das abordagens viram reunião, a referência do método da RP.
  • 60% das reuniões viram proposta, uma referência de trabalho.
  • 1 em cada 4 propostas vira venda, também uma referência de trabalho.

Com isso, a conta fica assim, para uma meta de R$ 80.000 por mês e ticket médio de R$ 8.000:

Etapa Conta Resultado
VendasR$ 80.000 dividido por R$ 8.00010 vendas
Propostas10 vendas, 1 em cada 4 propostas40 propostas
Reuniões40 propostas, 60% das reuniões67 reuniões
Abordagens67 reuniões, 17% das abordagens395 abordagens
Empresas pesquisadas3 empresas para cada abordagem1.185 empresas

Em 90 dias, são 30 vendas, 120 propostas, perto de 200 reuniões e quase 1.200 abordagens. Dividido por 13 semanas e por dois vendedores, dá cerca de 46 abordagens por vendedor por semana, ou 9 por dia útil. Esse é o número que vai para a agenda. Se quiser o passo a passo dessa conta, vale ler sobre quantas prospecções você precisa para bater a meta.

O planejamento ainda define duas coisas que a conta não mostra. A primeira é para quem vender: o perfil de cliente que entra na lista de prospecção do trimestre. A segunda é quem faz o quê: quantas abordagens cada vendedor assume, quem cuida das propostas abertas e quem acompanha os números.

Na prática da RP

A referência de método da RP é esta: 150 empresas pesquisadas geram 50 abordagens personalizadas, e 17% delas viram reunião, perto de 8 reuniões. É daí que vem a proporção de 3 empresas pesquisadas para cada abordagem da tabela. A pesquisa vem antes do contato, e é ela que deixa cada abordagem personalizada.

4. Frente 2: Capacitação, o que a equipe precisa saber fazer

Com o número de abordagens definido, a pergunta seguinte é: a equipe consegue fazer esse volume com qualidade? Às vezes a resposta é sim e o plano só precisa de disciplina. Na maioria das vezes, o plano revela um ponto fraco que precisa de treino.

O jeito mais simples de achar esse ponto é olhar as taxas. Se a equipe faz muitas abordagens e marca poucas reuniões, o problema está na abordagem. Se marca reunião e não chega à proposta, está no diagnóstico. Se faz proposta e não fecha, está na negociação. Cada etapa fraca vira um tema de capacitação.

A regra é treinar um tema de cada vez. Um trimestre bem usado tem três temas no máximo, um por mês, começando pela etapa que mais perde vendas. Junto do treino, escreva o jeito certo de fazer no playbook de vendas, para que o que foi aprendido não dependa da memória de quem estava na sala.

Para montar o conteúdo de cada tema, vale ver o que ensinar primeiro num treinamento de vendas para equipe. A lógica é sempre a mesma: explicar, mostrar um exemplo, praticar com casos reais da semana e conferir no número se a etapa melhorou.

5. Frente 3: Acompanhamento de indicadores, o plano visto toda semana

Plano sem acompanhamento vira promessa de começo de trimestre. O acompanhamento é o que faz o plano sobreviver à rotina, e ele acontece em três ritmos.

  • Toda semana: abordagens feitas, reuniões marcadas e propostas enviadas, por vendedor, comparados com o número do plano. São os números que avisam cedo.
  • Todo mês: vendas, faturamento e as taxas de cada etapa. É quando você troca as referências pelos seus números reais e refaz a conta.
  • No fim dos 90 dias: o que funcionou, o que não funcionou e o que entra no plano seguinte.

O momento certo para olhar os números da semana é a reunião de vendas de segunda-feira. Quinze ou vinte minutos bastam se cada vendedor chega com os números prontos e a conversa vai direto para onde o plano saiu do rumo.

Escolha poucos números. Cinco indicadores de vendas bem acompanhados valem mais que um painel com vinte que ninguém abre. E combine antes o que acontece quando um número fica abaixo do plano por duas semanas seguidas: mais abordagens, um treino específico ou uma conversa individual.

6. O plano de 90 dias, mês a mês

Juntando as três frentes, o trimestre fica assim:

Mês 1: arrumar a base

  • Planejamento: fechar a conta da meta, dividir as abordagens por vendedor e montar a lista de empresas do primeiro mês.
  • Capacitação: treinar a etapa mais fraca do funil e escrever o jeito certo no playbook.
  • Acompanhamento: começar a registrar os números da semana, mesmo que a planilha ainda seja simples.

Mês 2: ganhar ritmo

  • Planejamento: completar a lista do segundo mês e revisar o perfil de cliente com o que o primeiro mês ensinou.
  • Capacitação: segundo tema de treino, na etapa que o mês 1 mostrou como gargalo.
  • Acompanhamento: trocar as taxas de referência pelas taxas reais e refazer a conta do restante do trimestre.

Mês 3: medir e ajustar

  • Planejamento: concentrar esforço nas propostas abertas e nos leads mais quentes para fechar o trimestre.
  • Capacitação: terceiro tema ou reforço do primeiro, conforme os números.
  • Acompanhamento: balanço dos 90 dias e rascunho do próximo plano, com a meta e as taxas atualizadas.
Plano de vendas em uma página

1. Meta do trimestre: R$ [valor], ou R$ [valor] por mês.

2. Ticket médio: R$ [valor]. Vendas necessárias: [número].

3. Funil por mês: [propostas], [reuniões], [abordagens], [empresas pesquisadas].

4. Abordagens por vendedor por semana: [número].

5. Perfil de cliente do trimestre: [segmento, porte, região].

6. Temas de capacitação: mês 1 [tema], mês 2 [tema], mês 3 [tema].

7. Números da segunda-feira: [indicador 1], [indicador 2], [indicador 3].

8. Responsáveis: [quem cuida de cada frente].

Na prática da RP

Cristiane Ortonal, sócia da Cia Turismo, resume a experiência com a RP como uma entrega acima de 100%. Num plano de 90 dias, entregar acima do combinado começa pelo combinado ser claro: meta, números da semana e responsáveis escritos numa página que todo mundo conhece.

7. Os erros que derrubam o plano no meio do caminho

  • Meta sem conta. A meta é definida pelo desejo do dono e ninguém calcula quantas abordagens ela exige. Na terceira semana, a equipe descobre que o número é impossível com a agenda que tem.
  • Plano na gaveta. O documento é feito no primeiro dia e só é aberto no último. Sem a revisão de segunda-feira, o plano não muda nada.
  • Treinar tudo ao mesmo tempo. Cinco temas no mesmo mês não deixam nenhum assentar. Um por vez, começando pelo gargalo.
  • Taxas de outra empresa para sempre. Referência serve para começar. A partir do segundo mês, quem manda são os seus números.
  • Ninguém responsável. Se cada frente não tem um nome ao lado, cada uma fica para depois.

Perguntas frequentes

O que é um plano de vendas?

É o documento que transforma a meta em trabalho: quantas vendas, propostas, reuniões e abordagens a meta exige, quem faz o quê, o que a equipe precisa aprender e quais números acompanhar toda semana. Os melhores cabem em duas páginas.

Por que fazer um plano de vendas de 90 dias?

Porque é curto o bastante para a equipe enxergar o fim e longo o bastante para uma mudança aparecer no resultado. Coincide com o trimestre e permite corrigir a rota duas vezes, nas revisões mensais.

Como calcular quantas abordagens o plano de vendas precisa?

Faça a conta de trás para frente: meta dividida pelo ticket dá as vendas; as vendas divididas pela taxa de fechamento dão as propostas; e assim por diante até as abordagens. Com 17% de abordagem para reunião, 60% de reunião para proposta e 1 venda em 4 propostas, R$ 80.000 com ticket de R$ 8.000 pedem 395 abordagens no mês.

Quais indicadores acompanhar no plano de vendas?

Toda semana, abordagens, reuniões e propostas por vendedor, comparadas com o plano. Todo mês, vendas, faturamento e as taxas de cada etapa. Poucos números bem acompanhados valem mais que um painel cheio.

O que fazer se o plano de vendas sair do rumo no meio do trimestre?

Olhe em que etapa o número ficou abaixo do plano. Se faltam abordagens, o problema é volume e agenda; se a taxa caiu, é capacitação naquela etapa. Refaça a conta do restante do trimestre com as taxas reais e combine a correção na reunião de segunda-feira.

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